O termo metadados é usado de modo diferenciado em diferentes comunidades.
Alguns usam esse termo para referir-se à informação legível por máquina, enquanto outros a usam somente para registros que descrevem recursos eletrônicos.
No ambiente da biblioteca, o termo metadados é comumente usado para qualquer esquema formal de descrição de recurso, aplicado a qualquer tipo de objeto, digital ou não-digital.
A Catalogação tradicional da biblioteca constitui um forma de metadados; MARC 21 e seu conjunto de regras, bem como o AACR 2 são padrões de metadados.
Outros esquemas de metadados foram desenvolvidos para descrever vários tipos de objetos textuais e não-textuais, tais como livros publicados, documentos eletrônicos, ferramentas para encontrar itens de arquivo, objetos de arte, materiais educacionais e de treinamento, e conjuntos de dados científicos.
A publicação “Understanding Metadada” da NISO (2004) define metadados como:
"informação estruturada que descreve, explica, localiza, ou ainda, possibilita que um recurso informacional seja fácil de recuperar, de usar ou gerenciar. O termo metadados, freqüentemente, designa dados sobre dados ou informação sobre informação”.
Fonte: NISO (2004). Understanding
Metadata. Bethesda, MD: NISO Press.
http://www.niso.org/standards/resources/
UnderstandingMetadata.pdf
O American Library Association (ALA) Committee on Cataloging: Description and Access (CC:DA) apresentou as definições operacionais formais para os 3 termos, depois de um estudo de 46 definições potenciais:
metadados são dados codificados e estruturados que descrevem as características de elementos que carregam informações, auxiliando na identificação, descoberta, avaliação e no gerenciamento desses elementos descritos.
um esquema de metadados fornece uma estrutura formal projetada para identificar a estrutura do conhecimento de determinada disciplina e para ligar essa estrutura à informação da disciplina por meio da criação de um sistema de informação que auxiliará na identificação, descoberta e uso da informação no âmbito dessa mesma disciplina.
Entende-se por interoperabilidade a capacidade de dois ou mais sistemas ou componentes de trocar informações e usá-las sem esforço especial por parte de qualquer dos dois sistemas envolvidos.
Fonte: CC:DA Task Force on Metadata:
Final Report (CC:DA/TF/Metadata/5), June 16, 2000
http://www.libraries.psu.edu/tas/jca/ccda/tf-meta6.html
(acessado em Sept. 10, 2004)
Zorana Ercegovac (1999), na introdução a um Número Temático, intitulado, “Integrating Multiple Overlapping Metadata Standards” do Journal of the American Society for Information Science, forneceu uma visão geral do desenvolvimento de metadados, na qual ela leva os leitores através da era pré-Internet e da era Internet:
MAchine Readable Cataloging (MARC). http://www.loc.gov/marc/
Desenvolvido pela Library of Congress na década de 60.
Em termos de especificidade, estrutura e maturidade, trata-se de metatados bem estruturados e semanticamente enriquecidos.
Propósitos:
(1) representar descrições bibliográficas enriquecidas e relacionamentos entre dados heterogêneos de objetos de biblioteca; e,
(2) facilitar o compartilhamento desses dados bibliográficos para além dos limites da biblioteca local.
A enfâse está no documento inteiro;
os representantes são os registros MARC;
os registros são produzidos por catalogadores humanos;
O MARC não dá conta das:
necessidades de gerenciamento (por exemplo, propriedade intelectual, preservação), ou
das necessidades de avaliação(por exemplo, autenticidade, perfil do usuário e níveis de classificação).
Desde os anos 90,
os repositórios distribuídos têm apresentado um crescimento exponencial
os repositórios são contribuições de diferentes comunidades
existe necessidade de descrever, autenticar e gerenciar esses recursos
por isso, novas diretrizes e arquiteturas são desenvolvidas em diferentes comunidades.
Priscilla
Caplan caracterizou o movimento de metadados como
"um jardim
florido atravessado por caminhos,
sobrepondo-se
a uma estrada em
região íngreme e acidentada" (Caplan, 2000)
O “Jardim Florido” desses metadados pode ser visto sob várias perspectivas:(1) Não há limite para o tipo ou quantidade de recursos que a serem descritos por metadados.Os recursos descritos por metadados consistem de:Em qualquer área com uma demanda de recursos, localização e compartilhamento eletrônico, pode ser desenvolvido ou proposto um padrão de metadados.
objetos bibliográficos (tal como, os representados pelos metadados MARC),
inventários e registros arquivísticos (por exemplo, metadados EAD),
objetos geoespaciais (por exemplo, metadados FGDC),
recursos visuais e de museu (por exemplo, metadados CDWA, VRA Core, CIMI),
materiais educacionais (por exemplo, LOM),
implementação de software (por exemplo, CORBA),
e muitos outros.
O uso desses padrões de metadados não está limitado pela língua ou pelas fronteiras de um país.
(2) Não existe limite quantitativo para os padrões de metadados, que se sobrepõem em para qualquer tipo de recurso ou qualquer campo de um assunto.
Mesmo dentro de uma única comunidade de um assunto fragmentado são encontrados variantes de um mesmo sistemas.
Para descrever recursos visuais e de museus, por exemplo, existem pelo menos nove esquemas de metadados muito bem estruturados e muito bem documentados, variando desde alguns bastante completos e detalhados até outros mais gerais e de núcleo aberto.
(3) Não há limite para os tipos de profissões ou campos do conhecimento, que podem estar envolvidos no desenvolvimento e na aplicação de padrões de metadados.
Em Metadata and Organizing Educational Resources on the Internet (Greenberg, 2000) é documentada a existência de experiências daqueles profissionais que estão ativamente engajados em projetos que organizam os recursos da Internet com propósitos educacionais, incluindo os produtores de metadados (catalogadores e indexadores), administradores de bibliotecas e educadores.
A National Science Digital Library (NSDL) estabeleceu um Repositório de Metadados baseado em registros de metadados recolhidos de aproximadamente 100 coleções digitais financiadas pela National Science Foundation. As coleções e os metadados para essas coleções e seus itens foram construídos por educadores do ensino fundamental e médio, da graduação, de escolas de pós-graduação, juntamente com publicadores, cientistas, engenheiros, médicos, associações profissionais e muitos outros.
Referências:
Caplan, Priscilla (2000). International metadata initiatives:
lessons in bibliographic control.
Artigo apresentado na: Conference on
Bibliographic Control in the New Millennium,
Library of Congress, November, 2000.
URL: http://lcweb.loc.gov/catdir/bibcontrol/
caplan_paper.html Ercegovac, Zorana (1999). Introduction. In: Integrating Multiple Overlapping Metadata Standards, a Special Topic Issue. Journal of the American Society for Information Science, 50(13).1165-1168
Jane Greenberg ed. (2000).
Metadata and Organizing Educational Resources on the Internet.
(Monografia publicada simultâneamente no
Journal of Internet Cataloging, Vol. 3, Nos. 1 and 2/3.)
The Haworth Press, Inc.
The National
Science Digital Library. (2004).
2004 Annual Report. Part 1. URL:
http://nsdl.org/about/download/misc/NSDL_ANNUAL_REPORT_2004_1-15.pdf